segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Os F1 do Piquet" - 1988/1989 - A frustração na Lotus

Lotus 100T (Honda V6 Turbo) 1988.

Lotus 101 (Judd V8 Aspirado) 1989.

A lendária equipe Lotus já não tinha o mesmo rendimento e capacidade de antigamente, mas ainda possuía um grande aliado para a temporada de 1988, o motor Honda. Mas o Lotus 100T amarelo, projetado pelo engenheiro francês Gérard Ducarouge (que trabalhou com Senna de 1985 à 1987 na equipe), mostrou-se problemático.
Mesmo tendo o motor japonês, a Lotus não tinha forças para lutar com a mesma intensidade do que a McLaren, que também tinha o motor Honda V6 Turbo. O Lotus 100T era 7 km/h mais lento do que o McLaren MP 4/4 no retão em Jacarepaguá. O carro da Lotus era 2 segundos mais lento e aumentava para 3 em San Marino. O carro não reagia as modificações propostas e experimentadas por Nelson Piquet.
O diagnóstico de Piquet: excessiva torção na parte traseira do chassi.
Segundo comentários da imprensa automobilística internacional, o Lotus 100T tinha a estrutura rígida como uma casquinha de sorvete. O motor não era o problema da causa do baixo rendimento do carro, mas sim o chassi que Piquet declarou publicamente que era "uma merda" e desentendeu-se completamente com o projetista Gerard Ducarouge.
Com condições de disputar posições somente com os carros equipados com motor aspirado, Piquet terminou o campeonato em 6º lugar com 22 pontos conquistados.

Sem o motor Honda para 1989, a Lotus fechou com o motor Judd que mostrou-se um dos mais fracos da época. Nelson Piquet só conseguia se classificar nas provas praticamente no final do grid e disputar posições pelo bloco intermediário e de vez em quando dava para marcar alguns pontos. Para piorar, Piquet não conseguiria se classificar para o Grande Prêmio da Bélgica em Spa-Francorchamps, o mesmo acontecendo com seu companheiro de equipe, o japonês Satoru Nakagima.
Pela segunda vez na carreira que o piloto brasileiro ficava ausente de uma corrida. Nenhum pódio, e mais um ano tendo que disputar com o pelotão intermediário, Piquet terminou em 8º lugar no campeonato com 12 pontos.
Desiludido com as duas temporadas frustrantes na Lotus, Nelson Piquet assinou contrato com a equipe Benetton para a temporada de 1990.

8 comentários:

Joel Marcos Cesetti disse...

Grande Ararê, belíssimo trabalho.

Piquet uma vez criticou o Senna quando ele pilotava a Lotus Camel e depois foi ele correr com Lotus e seus problemas.

Ararê Ilustração disse...

Assim como criticou a Fórmula Indy e quase se matou por lá...

Valeu Joel!

Mario Estivalet disse...

Achei o título muito bem escolhido "A frustração na Lotus".
Seu relato está excelente, e embora na época não se esperasse do carro um desempenho digno de um Lotus, não era para ser tão ruim, e Piquet com sua maestria e "faca nos dentes" poderia compensar um pouco o carro. Mas não deu.

Rui Amaral Lemos Jr disse...

Acho que ele sabia o tamanho da confusão que ia se meter.
Lindão Ararê, parabens.

Abs

Rui

Ararê Ilustração disse...

O contrato milionário falou mais alto.

Rui Amaral Lemos Jr disse...

É Ararê e tambem o tamanho da grana.

Abs

Rui

Hecto Silva disse...

Tanto o Senna como o Nélson erraram, o Senna errou em querer de qualquer maneira o motor Honda, em detrimento do Renault que estava melhorando bastante, esquecendo que a Honda tinha um contrato com a Williams onde os melhores Honda seriam dela..com isto Senna e a Lotus/87 tiveram que usar os motores Honda de uma geração mais atrasada os RA 166E (que foram da Willams em 1986), motores de classificação com apenas 900 cvs contra mais de 1000 cvs dos Honda RA 167E que eram exclusivos das Williams/87, isto explica porque Senna era mais lento nos treinos. Já nas corridas os Honda da Williams tinham 40 cavalos de vantagem sobre os Honda da Lotus. Senna tentou levar os motores Honda de uma geração mais atrasada para a Mclaren em 1987, mas Ron Dennis rejeitou, ele queria muito os Honda, mas queria que tivesse o mesmo desenvolvimento das Williams. Já em 1988 Senna conseguiu convecer a Honda a dar motores de última geração para a Mclaren...aí sim Senna foi aceito pela Mclaren. Já Piquet errou porque quis pegar um carro diferente do Lotus 99T, os Lotus 99T eram bons carros de corrida (ruim de treino) porque gastavam pouco pneus, e era muito bom em pistas travadas Mônaco, Hungria, Austrália e Canadá ou pistas rápidas com chicanes como Itália e Alemanha. Como em 1988 a Lotus usaria o motor de última geração RA 168 (igual ao Mclaren) é provável que os Lotus se tornassem ainda mais fortes porque a defasagem de potência iria desaparecer, outro problema do Lotus 99T era de peso eles eram 20 kgs mais pesado que os concorrente, agora a Lotus iria corrigir isto porque o motor iria ficar mais leve porque a pressão do turbo foi reduzida de 4 bar para 2,5 bar (novo regulamento) os Lotus 99T seriam competitivos em pelo menos 10 corridas...eles seriam problemáticos nas pistas onde a aerodinâmica é muito importante, onde há curvas de alta velocidade. O erro de Piquet foi o de ter reprovado o Lotus 99T no fim de 1987...exigindo um carro novo...como a Lotus é uma equipe média, faltou dinheiro e tempo para desenvolver o Lotus 100T. O outro carro o Lotus 100T tinha defeitos (aerodinâmicos) mas era um carro muito bem acertado...com o peso certo, potência igual aos da Mclaren é quase certo que iria andar bem... Não acredito nesta história que o chassis era mole...eles usavam muito fibra de carbono, acredito mais na versão do Peter Warr e do Senna que o Lotus tinha problemas aerodinâmicos...Se a gente ver as fotos a gente vai ver que os Lotus eram carros bem mais volumosos que os Mclaren, Williams, Ferrari e Benetton.

Astrólogo de Plantão disse...

Nunca aceitei a Lotus 100T e a mão errada do Ducarouge. Ele poderia dar uma de joão sem braço e fazer um carro igual ao 99T e dizer que era 100T . Muito boa a explicação do Hecto. Tem todo o sentido, embora tenha ouvido elogios do Piquet ao 99T.